Solidariedade entre cadetes

Pior que vida de polícia, só mesmo vida de cadete. Segundo se diz na caserna, “o aluno é a imagem do cão”, portanto uma história dessas só poderia ter acontecido com um cadete mesmo.
A bienal, é uma bateria de exames períódicos realizados por todos os policiais militares. Exames simples, de sangue, fezes e urina. Só que para o cadete toma contornos de obrigação, pois se não comparecer na data/ hora marcada, pode sofrer punição, já que a rotina do cadete é muito regrada e ele não pode ficar saindo da Academia “para qualquer coisa” a qualquer hora.
Então, numa manhã ensolarada de 1998, o cadete Romário que era residente na Academia da PMDF, deveria ir à Policlínica da Corporação realizar sua bienal.
Ocorre que nem sempre [na verdade nunca] a rotina do cadete lhe permitia uma alimentação saudável e balanceada, rica em fibras tão necessárias ao bom funcionamento de seu aparelho digestório. Por isso, naquela manhã, Romário não conseguia coletar a amostra necessária ao exame bienal. Não saía nada. Passou longos minutos no banheiro do alojamento e nada.
Seu tempo para a coleta estava se acabando, pois logo em seguida teria que estar em sala de aula, sob pena de ser anotado pelo tenente e ser punido. Naquela manhã seria apenas dispensado da formatura matinal para a feitura dos exames.
E quando já estava desistindo de seu intento, começam a chegar ao alojamento os colegas que não residiam na Academia, mas lá se aprontavam para a fomatura matinal, dando o último grau no coturno ou passando a farda. E eis que, ouvindo o lamento de Romário sobre sua dificuldade, o cadete Liedson solta essa:
“-Também estou com a bienal marcada para daqui a pouco. Acho que eu tenho uma amostra bem grande pronta para ser coletada. Suficiente para nós dois.”
“- Você faria mesmo isso por mim?” indagou Romário com os olhinhos brilhando.
E a resposta de Liedson, bem aos estilo cadete: “Pô, cara, jamais negaria um pedaço de m* a um amigo.”
E assim, poucos minutos depois, os dois cadetes partiram para a Policlínica, dividindo fraternalmente uma coisa que lhes garantiu um laço afetivo muito forte até hoje.
E ainda há quem diga que certas missões só podem ser realizadas pelo próprio interessado, não podendo nunca ser delegadas. Podem sim.
E o complemento de um ilustre leitor que, em sua imaginação fértil, diz conhecer nossos dois personagens fictícios:
Conheci os dois e fiquei sabendo que, lá na Policlínica, ao retirar a amostra do saquinho, a tampa do frasco da amostra se abriu e o material ficou na mão do Romário. O cara ficou puto, passou mais de duas horas esfregando a mão com álcool iodado para retirar o material sólido proveniente do Liedson que ora impregnava sua mão…
*Os causos contados na seção “vida de Polícia” são obra da imaginação fértil [e fétida, nesse caso] do autor. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

7 Responses to “Solidariedade entre cadetes”
agosto 27th, 2007 at 12:48 am
Realmente este é amigo até o fim dos tempos!!!
Compartilhando até mesmo um naco de #$#rda.
Exemplo a ser seguido por superiores, pares e subordinados!!! HEUHUEAHUAHUAHUAA
Grande abraço
Titto ADER Von WARE
agosto 27th, 2007 at 8:10 am
Conheci os dois e fiquei sabendo que, lá na Policlínica, ao retirar a amostra do saquinho, a tampa do frasco da amostra se abriu e o material ficou na mão do Romário. O cara ficou puto, passou mais de duas horas esfregando a mão com álcool iodado para retirar o material sólido proveniente do Liedson que ora impregnava sua mão… Boa lembrança…
agosto 27th, 2007 at 10:47 am
Gambá, digo Gambé de sorte!!
Esta foi uma das melhores histórias que já li, boa mesmo, só na PMDF para existir tamanhã fraternidade, abençoada por MERDA.
agosto 29th, 2007 at 3:21 pm
E pensar que eu já tinha muita coisa nessa PM!!! Isso que é espírito de porco, ops, corpo!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
setembro 16th, 2007 at 9:03 pm
na vida de cadete épreciso muita força de vontade por que nao é facil, precisamos aguentar duras punições e massantes rotinas….
dezembro 19th, 2007 at 2:47 am
pra quem acha que isso e igual a raio e so cai uma vez…nada disso sei de dois tenentes que colaram no exame de f* tb, so que foi na bienal da promocao! amigo e pra acudir outro!kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
julho 8th, 2008 at 8:00 pm
isso traduz o porquê que a vida na academia é uma lua de mel:” é fod@#$%&* do começo ao fim”
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