A BELA leitora do BSP

Posted by: Blog da Segurança Pública on sexta-feira, setembro 28th, 2007

Confesso que estava um tanto quanto frustrado com a repercussão do filme Tropa de Elite. Muita gente na internet, na mídia e nas conversas da rua defendendo a tortura e o assassínio de pessoas como pretexto para combater o tráfico de drogas. A tortura? Normal. Tem que torturar esses vagabundos mesmo. O cap Nascimento já virou herói, ainda que para combater o tráfico e a corrupção cometa e incentive crimes muito mais graves que o próprio tráfico de drogas e a corrupção.

Felizmente, uma única leitora do Blog, a Bela, se sensibilizou com a situação. Leiam o comentário dela no nosso post sobre o filme:

Bela | belaxxxxxxx@email.com | IP: xxxxxxxxxxx

Adorei o primeiro comentário sobre o filme. Conseguiu reunir todos os meus sentimentos em relação à película. Destaque para os “dois parágrafos” que falam sobre a tortura. Ressalto aqui as frases: “quem rouba não presta, mas matar… matar não tem problema, desde que seja matar traficante” e também “os policiais do BOPE (..) torturam todo mundo para obter informações, dá a impressão de que o filme quer fazer o espectador aceitar a tortura como meio legítimo (ou inevitável) de se combater o tráfico”. É isso aí. Temos que pensar neste aspecto. Afinal, sem respeito às leis qual seria a diferença entre bandidos e policiais?
A polícia precisa é se organizar – como neste site – e colocar a boca no mundo para denunciar a violação de seus direitos.

Sep 27, 12:12 AM — — Tropa de Elite, o filme sobre o BOPE

Cheguei até a colocar outro post à respeito e parece que alguns leitores se sensibilizaram.

Por mais que muita gente queira, as polícias não podem aceitar o papel de faxineiras sociais. Até porque matar traficante não reduz o tráfico. Assim fosse, o RJ já estaria livre desse mal, pois desde que Brizola saiu do poder a polícia mata muito, mas o tráfico e a criminalidade em geral no RJ continuam em níveis inaceitáveis. Grande máquina de enxugar gelo.

Já se apagava a luz no fim do túnel que me fazia acreditar que polícia pode melhorar. Sem a vontade da população é que não melhoraria mesmo. Ler o comentário da Bela fez aumentar a intensidade dessa luz no fim do túnel.

Bela, parabéns e muito obrigado pela injeção de ânimo! Graças a pessoas como você, as polícias têm chances de serem respeitadas algum dia nesse país.

Saiba mais sobre:

9 Responses to “A BELA leitora do BSP”

Alexandre Says:
setembro 28th, 2007 at 10:13 am

Difícil mesmo, é ver que tudo que sempre questionei nos cursos de formação de Organizações militares de segurança pública (PM’s e Bombeiros) passou a ser ridicularizado depois do filme. Agora, o que antes era humilhação, tortura psicológica e física e muita alienação do que deveria ser entendido como dignidade da pessoa humana, passou a ser virtude nos policiais e bombeiros o absurdo de se sujeitar ao tratamento degradante imposto por seus instrutores. O “Nunca serão!”, passou logo após o filme a ser o mote preferido dos intrutores nos cursos pelo país a fora. Só que diferente do tal Cap Nascimento, que pelo menos se dizia honesto, os instrutores que conheço são sádicos e corruptos. Lembro-me de quando discuti em uma instrução de primeiros socorros com um Oficial récem-saído da Academia de bombeiros que tentava legitimar a partir do que aprendeu lá, a violência, travestida de “uso da força necessária” para com pessoas comuns numa cena de um acidente automobilístico. Mas, não parou por aí, tentou convencernos a aceitar castigos físicos e mesmo agressões físicas (tapas, socos e ponta-pés) como fins instrutivos e de adestramento. Isso, dentro dos bombeiros.
Fica difícil incutir o respeito à pessoa humana nos atendidos pelo Estado, quando seus próprios agentes são treinadas para o confronto beligerante.

Silveira Neto Says:
setembro 30th, 2007 at 12:29 am

Eu também compartilho dessa visão.
Isso de os fins justificam os meios, já nos levou a cada lugar horrível…

Mas mudando de assunto, já viu o boneco do capitão nascimento?
http://www.eupodiatamatando.com/2007/09/30/chegou-o-boneco-do-capitao-nascimento/

Spoudaio Says:
outubro 1st, 2007 at 6:46 pm

Senhor blogueiro, é fácil pregar essa moral do bom-mocismo, principalmente quando se está a salvo e à distância de qualquer perigo. Essa postura rende certos dividendos sociais e morais, além de contribuir para uma falsa consciência de ser um sujeito portador de uma ética acima da média. É assim que se sentem os pseudos pacifistas que compõem aquelas passeatas “fraternais” e imbecis que pululam no Rio de Janeiro.
Porém, quem somos nós para condenar os bopeanos do Rio de Janeiro? Que presunção nos leva a acreditar que podemos julga-los com isenção? Ok, as torturas e mortes podem existir, mas quem poderá condenar aqueles homens que a troco de R$ 800,00 e recompensados com ódio e desprezo da sociedade, arriscam suas vidas e morrem como heróis anônimos e renegados? Como pedir ética para soldados que vivem uma guerra não declarada, cujo inimigo é hostil, perverso, sanguinário, destituído de qualquer ética, moral, senso de justiça e cavalheirismo? Sim, porque traficantes não são inimigos comuns. Nem sequer são inimigos como os que vemos nas guerras, onde por mais que haja violência, há também leis, regras e condutas que não podem ser violadas, de parte a parte. Mas na guerra do tráfico, não. Não há peias. A única lei que impera é a lei do cão. Como cobrar que uma das partes se submeta a regras, leis, ética, quando a outra parte não se submete nem ao mais elementar instinto humano?
O Cap Nascimento tinha razão ao indagar o estudante: “você sabe quem matou essa pessoa aqui?”. O estudante responde constrangido: “foram vocês”. E o capitão sabiamente diz: “não, não fomos nós. Quem matou ele foi VOCÊ.”
Sim, capitão, fomos todos nós. Todos nós torturamos, todos nós matamos. Não há inocentes nessa guerra. Nós colocamos os policiais para fazerem o serviço sujo da sociedade. Nós colocamos os policiais para botarem a mão no lixo e na podridão, e ao final cobramos que estejam exalando um perfume de rosas… E esse lixo somos nós próprios que produzimos, como resultado de uma sociedade injusta, hipócrita, alienada, de governantes e líderes corruptos e safados.Em que pese tudo isso, queremos nossos guerreiros imaculados, puros, límpidos, como se não fossem humanos, como se não fossem cidadãos comuns, com esposa, filhos, família, e sobretudo, como se não tivessem suas fraquezas, seus medos, suas insatisfações… Enfim, como se não fossem um de nós; como se não morressem POR NÓS…
Só Deus poderá julgá-los.

Alex Says:
outubro 1st, 2007 at 10:24 pm

Não é bem assim não. Sou periferia desde que nasci, e de forma semelhante em muitos aspectos, a contradição entre luxo e desperdício e a miséria também permeia os arredores de Bsb. A questão é de caráter mesmo, de indole própria. O Bope aqui, também comete abusos, senão semelhantes, parecidos, mas com um agravante em relação ao Rio, a violência se dá por um prazer sórdido, que não apenas eles têm, mas a grande maioria dos homens, que só precisam de um válvula de escape, que pode ser a impunidade, uma farda, um distintivo, um preconceito racial, étnico e todas as demais mazelas que inundam o inconsciente humano sejam liberadas.
O personagem do tal Cap Nascimento que no filme parece colocar todos os envolvidos no tráfico no mesmo saco não atira nem executa nenhum playboy ou patricinha. O filme tem suas virtudes, mas também não pode ser adotado como tábua de salvação ou justicação de conduta de policiais nas ações contra a população dos morros.

Opinião Pública depois da exibição do filme Tropa de Elite Says:
outubro 1st, 2007 at 10:38 pm

[...] começar pelo post do BSP da semana passada: “Por mais que muita gente queira, as polícias não podem aceitar o papel [...]

Marcelo Says:
outubro 2nd, 2007 at 1:21 pm

Para quem está criticando negativamente o filme Tropa de Elite lanço um desafio: Seja voluntário para participar de uma incursão numa favela, pois só assim você verá com os próprios olhos o que ocorre quando a polícia entra no morro. Se você sair viovo tenho certeza que mudará de opinião.
Palavra de um policial militar.

Pedro Lacta Says:
outubro 8th, 2007 at 5:52 pm

Temos é que parar com essa frescura com “violencia”,os meliantes n tem regras eles n tem porte de arma nem registro n tem regra nenhuma e n respeitam nenhuma convenção.
Portanto contra violencia so funciona mais violencia ainda…
Quando começaram com esse papo de desarmar SP sabia que ia virar porcaria, eu mesmo nos tempos que andava armado frustru pelo menos 2 assaltos em andamento e pelo menos pra mim ja valeu a pena…
Outra coisa parar de alizar a cabeça do usuario de drogas e unificar a lei:Porte de entorpecente 5 anos ,sejam 45 quilos de cocaina ou uma “pontinha” de maconha no cinzeiro do carro.
So assim estaremos caçando o verdadeiro criminoso que é quem usa,lei de mercado se ninguem compra acaba o traficante…

Malu Says:
outubro 19th, 2007 at 4:12 pm

No momento só quero dizer uma coisa: parabéns pela iniciativa do blog. Sempre volto para saber dos últimos posts. Parabéns pelo debate. Eu acredito na ação da polícia, em todos os meios existem os bem intencionados e os não tão bem intencionados, e na polícia não poderia ser diferente, mas eu sinto orgulho da ação da polícia ainda mais porque moro em uma grande cidade como São Paulo.

Márcia Dias Says:
dezembro 3rd, 2007 at 1:16 am

Meu nome é Márcia e quero relatar um caso ocorrido há um mês, quando acessei esse site para comentar sobre o filme Tropa de Elite. Deixei meu email para quem quisesse se corresponder comigo e, em menos de uma semana, um indivíduo identificando-se como “tenente Alan Cardelote, do 1º Batalhão da Rota (SP)” passou a se corresponder comigo por email. O nosso papo estava ficando bacana e ficaríamos amigos até que descobri algumas mentiras contadas por ele. Ele tem o linguajar típico dos policiais, se expressa como eles, mas muitas de suas histórias e falsas ocorrências não colavam. Descobri a farsa quando liguei no próprio batalhão da Rota e lá me disseram que não existe nenhum policial com esse nome. Fiquei magoada porque entrei num blog para fazer amigos, considerando que, por ter parentes policiais, ampliaria cada vez mais meu leque social fazendo novas amizades com essa galera. Bom, mas não vou desanimar por causa de um MOLEQUE FRUSTRADO NA VIDA POLICIAL! Sei que tem gente bacana neste blog e quero fazer amizade com pessoas assim. Estou me expondo porque não devo nada a ninguém, e acredito que meus “futuros amigos deste blog” também agirão assim. Beijos a todos vocês!

 

Leave a Comment