Ofícios “de ordem” para subverter a ordem

Posted by: Blog da Segurança Pública on segunda-feira, abril 7th, 2008

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O Major George, onde quer que estivesse servindo, dava um jeito de se dar bem às custas dos outros. Nos idos de 2003, mesmo estando lotado no 105º BPM da PMDF, uma das unidades em que é mais difícil o policial corrupto se criar, seja pela fiscalização interna, seja pelo nível social da população que não aceita policial bandido, o oficial aprontou das suas.

Ele era o terceiro na cadeia de comando, chefe do P/1 da unidade (Seção de Pessoal), portanto nunca, ou raramente, assumia o comando do quartel. Como a administração militar é bem centralizada, nenhum oficial, exceto o próprio comandante, podia enviar ofícios para fora do quartel sem a assinatura do zero um da unidade. A princípio, isso dificultaria a ação criminosa de George. Mas só a princípio mesmo.

George precisava consertar seu carro, mas como estava endividado, não tinha de onde tirar dinheiro e decidiu, mais uma vez, valer-se da PM para se dar bem.

Mandou mais de uma dúzia de ofícios a oficinas mecânicas e revendas de auto-peças, pedindo peças “para viaturas policiais modelo GM/ Vectra”, devido à “falta de condições da PM para sua manutenção.” Para alguns comerciantes de outros ramos que precisavam mais da atuação do Batalhão, chegou a pedir dinheiro vivo.

Detalhe é que a PMDF nunca teve Vectras em sua frota.

Os ofícios tinham o nome do comandante impresso, mas esse nem sabia da maracutaia, pois George assinava os ofícios “de ordem”, como se fosse na ausência e com o conhecimento do comandante. Em alguns ofícios, foi atendido, mas em outros não, pois nem todo comerciante era otário de ajudar a PM, que naquela época já não tinha problemas orçamentários, mas apenas dinheiro mal administrado.

De qualquer forma ele consegiu arrumar seu Vectra que, quando da chegada do oficial ao quartel, caía aos pedaços, mas após pouco mais de um mês estava tinindo, com acessórios esportivos, película fumê, rodas de liga leve e tudo mais que qualquer playboy que se preze colocaria em seu carro. Não gastou sequer um centavo do próprio bolso.

Para a execução do serviço foram usados policiais da seção de manutenção de viaturas, a famosa “garagem”. Conseguir para os PMs uns meses de dispensa como recompensa pelo nobre trabalho não foi difícil – George era chefe da Seção de Pessoal.

Uns meses depois o comandante do 105º BPM acabou descobrindo o golpe, quando um dos comerciantes que havia ajudado “a PM” veio cobrar da polícia o retorno do favor.

Mas a conduta de George não rendeu mais que um grande esporro, pois o major ladrão era primo do então comandante-geral, que solucionou o problema na base da amizade, sem sequer instaurar uma apuração.

*Os causos contados na seção “Vida de Polícia” são obra da imaginação fértil do autor. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

Você viveu, presenciou ou ouviu falar de alguma história curiosa, engraçada ou trágica na atividade policial? Clique aqui e conte sua história. O BSP publica.

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2 Responses to “Ofícios “de ordem” para subverter a ordem”

ANDRÉ Says:
abril 8th, 2008 at 10:15 am

Por falar em carro e garagem.

Ontem uma vtr de um batalhão baixou.Até aqui tudo bem.Ocorre que quem guinchou a blazer foi uma outra viatura usando cambão.Cadê o guincho?Será que está sendo usado para tranportar os postos do futuro?
Tá feia a situação.

Cana do DF Says:
abril 8th, 2008 at 6:51 pm

Oficiais e seus ofícios

 

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